sexta-feira, 11 de julho de 2008

Eufemismo

Lembro que o teu rosto era irregular. Era irregular, porque não me lembro de ter visto o teu rosto, na mesma luz à mesma perspectiva, repetidamente igual. Havia sempre algo de novo, havia sempre uns novos olhos nos teus olhos, uma nova boca na tua boca: ou os dentes pareciam mais brancos, ou as pestanas tinham crescido mais um pouco. O cabelo, esse, mantinha-se sempre aparentemente igual: mas eram demasiados fios escorreitos e negros para saber se seria aí que encontraria a tua homogeneidade.

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