domingo, 18 de janeiro de 2009

Eufemismo, euforismo, uma coisa qualquer que não sei o que é

hoje, só queria pensar em sorrisos para ti.

só queria que compreendesses que.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eufemismo

Trouxeste o ano novo contigo. Mas não esqueci ainda o ano velho. Pausa. Longa, esta, pois estou sem que te diga.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Eufemismo

É, como já sabíamos que seria, estranha, esta nova fase. Estás por cá, apareceste de novo. Mas pareces não me sentir ainda.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Eufemismo

Hoje é o último dia do ano. Apareceste cá por casa, encheste a casa de luz. Partiste de novo, que vais passar o reveillon fora.

Mesmo sem saberes, passarei a meia noite contigo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Eufemismo

Eu disse dez dias. Não disse dez anos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Eufemismo

Não era para levares a sério. Mas é bom saber que ainda respeitas os meus pedidos.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Eufemismo

E agora dá-me dez dias para que pense. Não apareças. Não ligues. Deixa-me só.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Eufemismo

Não percebeste ou não quiseste perceber, e beijaste-me como se não tivesses ouvido. Não sei se te disse mais alguma coisa, mas sei que fiquei a remoer muito para além do passeio à beira-mar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Eufemismo

Eu sorri, e acenei com a cabeça que sim. Mas no interior de mim chamei-te de todos os nomes infames que me lembrei.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Eufemismo

Deste-me enfim a mão, sentaste-te do meu lado e sorriste. Sempre um sorriso. Mas não disseste que ias ficar, porque, na verdade, nunca partiras.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Eufemismo

Estou sentado, agarrado ao telemóvel e à vida, como se fossem a mesma coisa.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Eufemismo

Alguém - já não sei quem - me despertou. Levantei-me, fui até à casa de banho. Senti a pele, vi que o corpo ainda respirava. A barba crescera a um ritmo normal, o que só podia ser um sinal de que estava vivo.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Eufemismo

Voltei a adormecer mas não sonhei contigo. E no dia seguinte, tu não estavas lá, pensei que tinhas desaparecido de novo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Eufemismo

Quando acordei estava nos teus braços. E pensei que tinha morrido.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

domingo, 7 de dezembro de 2008

Eufemismo

No momento em que tu me tocaste, apaguei
[tudo branco, de novo]
e só acordei cinco dias depois.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Eufemismo

Como sempre tinhas salto alto e pintaras os lábios.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Eufemismo

Vinhas bonita e bem vestida. Como sempre.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Eufemismo

Aquele foi o dia em que percebi que não era só a figura estilizada de ti que residia na minha cabeça. Que, de facto, a memória de ti ocupava ainda um largo espaço.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Eufemismo

e logo a seguir tudo voltou a ficar branco. Como o leite, como a farinha, como o açucar, como as nuvens do céu.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Eufemismo

Do branco, surgiram algumas formas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

domingo, 30 de novembro de 2008

sábado, 29 de novembro de 2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Revelação

E depois fez-se tudo branco.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Revelação

Desse dia apenas relembro o sono.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Revelação

Desse dia apenas relembro o choro.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Revelação

Foi um dia que terminou a meio e eu não sei onde ir buscar a memória para o reconstruir.

domingo, 23 de novembro de 2008

Eufemismo

E então houve um dia.

sábado, 22 de novembro de 2008

Eufemismo

Estou à espera. E por muitas voltas que dê ao tempo, não há meio de conseguir que tudo passe bem depressa.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Euforismo

Escrevo-te todos os dias, porque ao teu lado todos os dias foram úteis.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Euforismo

Amor por amor e enlouqueceremos. Mas nem nos daremos conta disso.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Euforismo

Amor por amor e ficaremos todos cegos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Euforismo

Se o amor fosse assunto de saúde pública, já estaria devidamente regulamentado pela ASAE.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Dialogismo

- Este Darwin vê em tudo uma luta pela sobrevivência.
- ...
- Darwin devia ter falado menos de espécies e mais do amor.

domingo, 16 de novembro de 2008

Eufemismo

Estás só. Mas fico, ainda assim, contente que não estejas sozinha.

sábado, 15 de novembro de 2008

Eufemismo

Perceber, melhor já, que seremos sempre um do outro.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Euforismo

A nossa loucura será medida quando um dia achares que tudo acabou.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Eufemismo

Um cemitério de palavras. Paz às suas almas. É tudo o que isto significa.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eufemismo

Um mapa não chega para te dizer o quanto gosto de ti.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Euforismo

O meu lugar é um país estranho.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Eufemismo

Já o disse antes. Todas as palavras te pertencem.

domingo, 9 de novembro de 2008

Eufemismo

Já nem me lembro de quantas vezes voltei, para logo a seguir perceber que o meu lugar é partir.

sábado, 8 de novembro de 2008

Eufemismo

Para bom entendedor, meio sorriso teria bastado.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Eufemismo

Seis segundos. Foi quanto tempo bastou.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Eufemismo

Já sei o que pedir no Natal, no próximo mês.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Eufemismo

Uma pausa no mundo e este amor seria grande. Muito.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Eufemismo

Um verso - era tudo o que bastava.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Euforismo

Por desajeito, desejo ou ignorância, continuamos a magoar os outros.

domingo, 2 de novembro de 2008

Eufemismo

É pela noite que te vejo com clareza.

sábado, 1 de novembro de 2008

Euforismo

Era ser sacerdote e continuaria a blasfemar, dizendo-te que gostar de ti era o meu altar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Euforismo

Era ser professor e continuaria a não conseguir ensinar-te mais nada que já não sentisse.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Euforismo

Era ser médico e não ficaria a conhecer mais de ti do que já sei.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Eufemismo

É no barulho, e no meio de toda a confusão, embriagado e só, que sei que gosto de ti como a noite que um dia não desceu quando o sol nasceu.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Eufemismo

Arriscas-te a avançar pelo quarto escuro onde eu durmo. Tacteias os móveis, pressentes o início da cama e apalpas o colchão. Acordo, pergunto-te o que procuras e respondes
- Só o telemóvel.

Repouso e volto a dormir. Nestes momentos, fico sempre com medo que estejas a vaguear pelo quarto, esperando talvez encontrar o meu coração.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Eufemismo

Esperança seria a última coisa a morrer se tu não tivesses, enfim, em mim morrido.

domingo, 26 de outubro de 2008

Eufemismo

Pensarei em ti hoje. Com carinho, como se não te conhecesse na tristeza e na desilusão de uma vida depurada pela sua finitude.

sábado, 25 de outubro de 2008

Eufemismo

Hei-de sobreviver. Se o que restar for aproveitável, já será toda uma outra história.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Eufemismo

Olá Alice, bom dia, como vai essa falta de amor?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Eufemismo

Olá Alice, bom dia, como vai essa solidão?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eufemismo

Olá Alice, bom dia, como vai essa saudade?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Euforismo

Hei-de ser sempre covarde, só para ter alguém a quem culpar.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Euforismo

O medo mantém-nos atentos. Mas também nos impede de ser racionais.

domingo, 19 de outubro de 2008

Euforismo

Eu hei-de ser um velho falhado a quem aconteceu uma única coisa na boa e a desperdiçou.

sábado, 18 de outubro de 2008

Eufemismo

Eu hei-de amar sempre cidades com rios, mesmo que os rios morram à beira mar. Eu hei-de sempre lembrar-me de vinhos refinados tomados a alta altitude e de beijos trocados com a boca a sabor a sal. Eu hei-de sempre ouvir a tua pronúncia açucarada, mesmo que entretanto a tua vinda para Lisboa te tenha roubado essa forma tão tua de seres gente.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Eufemismo

Janto comida refinada, com bebidas quentes. Os cigarros fumo-os ao contrário e não consigo ler um livro pela primeira página. Os semáforos só têm cores que desconheço e nem já a minha caligrafia entendo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Euforismo

Só espero que da próxima vez que me apareceres eu não esteja a dormir.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Eufemismo

Um dia destes, o tempo há-de trazer-te até mim. Vestirás de branco e sorrirás. Sorrirás sempre.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Eufemismo

A última vez que fumei enquanto escrevia, disse que nunca mais te queria ver. O cigarro ardeu-me nos lábios e o fumo enublou-me os olhos. A roupa, os cabelos, as mãos: a cheirarem a tabaco queimado. O coração triste como nunca a saber que jamais mais voltaria a bater daquela maneira.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Eufemismo

Já me esqueci daquela casa onde passámos a noite pela primeira vez, dez vinte mil vezes. E no entanto, sempre aquele cansaço, aquela maldição a aparecer de mansinho, a dizer-me que nunca mais voltarei a ver passar os minutos, como naquela noite, sem me aperceber que. Já era dia.

domingo, 12 de outubro de 2008

Eufemismo

A única coisa que isto nos levou foi à pena. Um pelo outro. A pena de nos perdermos, a pena de já não estarmos juntos. A pena de sabermos que podiamos ser felizes.

sábado, 11 de outubro de 2008

Eufemismo

Lamento a espera. Lamento termo-nos sequer proposto à espera.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Eufemismo

Hoje fiquei à tua espera. Hoje não te encontrei.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Euforismo

Do café da manhã até apagar a luz. Segundo a segundo. Uma obsessão.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Eufemismo

Hão-de faltar-me olhos para te ver.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Dialogismo

- Se fosses um filme, qual serias?
- Não sei. Mas agrada-me aquela ideia de andarmos a jogar xadrez com a morte.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Eufemismo

Submisso, aos teus olhos, rogo-te o perdão. Perdoar-me-ás alguma vez por ser fraco?

domingo, 5 de outubro de 2008

Eufemismo

Sou um espectador de 4ª ordem da minha própria tragédia. As senhoras com casacos de peles, sentadas na fila cimeira da plateia, tentam curar feridas que nem elas sabiam que tinham.

sábado, 4 de outubro de 2008

Eufemismo

Vagueio pelo corredor escuro. E sozinho, como o ar que o diabo amassou. Não me lembro se alguma vez cheguei a ser feliz.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados

Artigo 7º
A fraqueza do Apaixonado medir-se-á na justa medida a que a outra parte, submetendo o primeiro, continua a ser adorada e amada como se não houvesse nem céu nem flores.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados,

Artigo 5.º
Os apaixonados apenas serão gente na medida em que o outro o entender. Espera-se que cada indivíduo deixa o outro ser, na sua totalidade, gente tal qual é.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados

Artigo 4.º

Os Apaixonados deverão respeitar o outro na medida do que este o solicitar, podendo questionar, mas nunca renegar, os termos e natureza do vínculo que estabeleceram pela sua própria cabeça.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados

Artigo 3.º

A todos os apaixonados não se exigirá mais do que total ligação durante todo o vínculo, sendo de excluir toda e qualquer prestação para além do que são.

domingo, 28 de setembro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados

Artigo 2.º

Todos os sócios-membros (doravante denominados de Apaixonados) terão corações puros e impuros, pois no Amor não se excluem nem os cães, quanto mais os desafortunos e desavindos de juízo próprio.

sábado, 27 de setembro de 2008

Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados

Ordem dos Apaixonados.
Regulamento
Artigo 1.º

Os membros que se queiram juntar a esta Associação fazem-no de livre vontade, não sendo exigidos outros pré-requisitos que não sejam a entrega total de si e dos bens que possuem.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Eufemismo

Se há uma ordem para gente organizada como médicos, advogados e arquitectos, porque razão não foi ainda criada a Ordem dos Apaixonados?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Eufemismo

Há uma música que não me largou desde o dia que te afastaste. Acredito que só nós a ouçamos; acredito que só para nós essa canção seja insuportável.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Eufemismo

Se uma longa caminhada começa com um pequeno passo, porque te admiraste que o nosso amor tenha sido produto de um simples beijo?

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eufemismo

Da última vez que deixei a chave em casa, não me deixaste entrar. A chave não estava debaixo do tapete, no contador exterior da água, muito menos em cima da mesa, no interior da casa. Simplesmente deitaste-a fora. Devia ter achado aí um pronúncio. Apenas vi uma má coincidência de causas e efeitos irreflectidos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Eufemismo

Não te assustes se um dia voltar a amar. Estarei apenas a obedecer ao meu desígnio mais primário.

domingo, 21 de setembro de 2008

Euforismo

Deixa o teu Bi em casa, ele nada diz. Sê livre, amando, como todos os homens dignos desse nome.

sábado, 20 de setembro de 2008

Euforismo

Usa a tua voz grave só para se for para dizer que amas alguém.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Euforismo

Não deixes que o teu coração pare. Sem ele não conseguirás mais voltar a correr.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Euforismo

Deixa-te amarrar para voltares a ser livre.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Euforismo

Volta a amar e larga a miopia.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Eufemismo

Jogámos este jogo demasiadas vezes, sem que eu, em consciência, soubesse as regras. Ainda levo um cartão vermelho por uma qualquer falta imoral, e me acusas de agressão gratuita e inconsequente.

Sabe pois tu nessa altura que a existir uma falta, como se diz na gíria, foi apenas de jeito.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Eufemismo

As batidas irregulares da bateria suspensa algures numa qualquer coluna urbana não esconde o medo que tenho em, novamente, passar por esta rua, em frente à tua porta, sabendo que àquela janela já me esperaste.

domingo, 14 de setembro de 2008

Euforismo

Não consigo achar nenhum espaço em que não existas.

sábado, 13 de setembro de 2008

Eufemismo

Porque na espera dos dias sem sentido, tu foste sempre o horizonte da minha infância.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eufemismo

Não sei se me lês. Mas quero que saibas que penso em ti.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Eufemismo

Para um dia mais tarde, bem mais tardio, ficarmos juntos, separámo-nos. Preferia ter lutado ao teulado para, ainda hoje, estarmos juntos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Eufemismo

O meu coração há-de ser sempre um saltibanco. Não, não é isso: o meu olhar tem alma de saltibanco, é isso. Olha, de norte a sul, este para oeste, em movimentos circulares e rectos. Vê quem passa, não deixa ninguém passar. Mas eu sei, espero que tu também, que desde o dia em que desceste até mim e disseste Gosto de ti, ele nunca mais disse Vai.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Euforismo

Férias. Preciso de. Mas dá-me ideia que não me vais dar descanso.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Euforismo

Nunca te consegui amar. Tu eras a mulher dos meus sonhos, nunca poderias ser a mulher da minha vida.

domingo, 7 de setembro de 2008

Euforismo

Nunca te senti. Tu eras as vísceras.

sábado, 6 de setembro de 2008

Euforismo

Nunca te toquei. Tu eras o fogo.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Eufemismo

Vieste para o sul só para ver se encontravas o teu norte.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Eufemismo

Se ainda aceitasses alguma coisa de mim, podes crer que te daria um presente.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Eufemismo

Apresentei-te Lisboa, o Estoril, Oeiras, Benfica, Cascais. Mas nunca te poderei agradecer o suficiente por me teres dado o Norte.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Eufemismo

Tenho o coração colado a perfume e a saliva. A tua.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Eufemismo

As folhas caídas no jardim verde, despojadas no chão, como uma uma dor e apetência infinita para o suicídio, parecem-me a metáfora perfeita daquilo em que, depois de ires, se transformou o meu corpo.

domingo, 31 de agosto de 2008

Eufemismo

Disseste-me para editar toda a nossa vida. Passar um lápis (azul, suponho) por cima de tudo, como quem inventa segreda e desvenda tristezas. Não há dia que passe que não me recorde disto. Que querias, simplesmente como se isso não nada fosse, rasgar e queimar todas as cartas que trocámos.

sábado, 30 de agosto de 2008

Euforismo

É na bebedeira que sou racional, pois é na bebedeira que o pensamento não me trava o coração.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Euforismo

Hoje estou assim: com o mundo ao contrário.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Eufemismo

O meu coração exausto há-de conseguir abrigar-te na noite triste de mais um dia sem ti.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Eufemismo

Na solidão das tuas mãos, deixei que me esfregasses o corpo como quem espera que, um dia, seja capaz de te satisfazer um, dois ou três desejos.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Dialogismo

- Tens a certeza que não te vais perder?
- Certeza, não.
- Mas vais pelo menos tentar?
- Vou pelo menos prometer-te que vou tentar não me esqueçer de não me perder. Está bom assim?
- Está. Mas aposto que te vais perder.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Euforismo

O acordeão é triste só porque ninguém se preocupou em lhe depositar uma flor por cima da caixa das esmolas.

domingo, 24 de agosto de 2008

Euforismo

Sentir de novo um amor que perdemos é termos a perfeita e líquida noção que, um dia destes, o peso de uma casa vai desabar sobre nós.

sábado, 23 de agosto de 2008

Euforismo

As pessoas respiram para dentro apenas porque, julgam elas, se esconderem quem são dos outros, sofrerão menos.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Eufemismo

Faltam dias para que o mês termine. Faltam meses para que morramos. Infelizes.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eufemismo

Usas óculos escuros só para que os outros não vejam que choras.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Euforismo

Gostar de ti é estar contigo na praia e apenas sentir doçura de cada vez que sais da água e voltas para a toalha.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Eufemismo

- Não digas isso, José, por favor, não digas, esse não és tu, José. Esse não és tu.
- Enganas-te, Alice, este sou eu. Hoje mais do que nunca, este sou eu.
- Está bem. Mas levanta-te. Levanta-te por favor. Não te quero lembrar assim.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Euforismo

Nos hospitais, os casais entram sempre de mãos dadas. Mesmo os que não se amam.

domingo, 17 de agosto de 2008

Euforismo

São duas da manhã. Em ponto. Porque é de noite que a verdade dói menos.

sábado, 16 de agosto de 2008

Euforismo

Como numa cesariana, tudo volta ao seu sítio. Tiram-se os intestinos cá para fora só para o puto poder chorar. Mal sabe que aquela será a primeira vez de muitas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dialogismo

- Esta vírgula está a irritar-me.
- Coloca um ponto final.
- O ponto final é demasiado rígido.
- A vírgula deixa sempre mais espaço para a indecisão, é sempre assim, toda a gente sabe isso.
- Estás a querer dizer-me alguma coisa?

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Eufemismo

Vivo para ti. Mas um dia o nosso amor prega-nos uma partida e deixa-se morrer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Euforismo

Estou vivo. Continuo a escrever-te.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Euforismo

A noite é mais suave. Nela não tenho de ver os teus braços, as tuas pernas, os teus peitos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Dialogismo

- Fazes ideia de quantos tratamentos restam à tua mãe?
- Queres dizer faltam.
- Isso, faltam. Desculpa.

domingo, 10 de agosto de 2008

Dialogismo

- Da última vez que estivemos aqui foste feliz?
- Devo ter sido. Não há nenhuma memória a agredir-me a cabeça, pelo que decerto fui muito feliz.

sábado, 9 de agosto de 2008

Eufemismo

Toca-me. Toca-me para a eternidade.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Eufemismo

Morreremos ao fim de muitos anos. Com dignidade e arrependidos. A prová-lo, os nossos joelhos flectidos, assentes nas águas que abençoámos.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Eufemismo

Um dia aparecerás à minha porta e ler-me-ás a Bíblia. Versos soltos, os livros principais e os outros. Nenhum importará. Mas decerto gostarei de ouvir-te.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Eufemismo

A minha salvação há-de chegar um dia destes num envelope almofado, carta registada com aviso de recepção e assinatura de Deus a comprovar que entrarei no Paraíso. Mesmo que seja daqui a muitos anos, sei que a carta virá numa caligrafia cuidada que se esprai ao longo de um papel sedoso. Sei que nessa altura já terei escrito todo o teu corpo. Não haverá já espaço para o inferno.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Eufemismo

Lembro-me de me teres falado da geografia do teu corpo, o único que se apresentava como um enigma perante todos os que conheci. Um dia quase te toquei, um dia quase nos penetrámos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Eufemismo

Ontem à noite passei por tua casa. Mesmo sabendo que já não estás lá. Toquei à campainha, contei até dez, e olhei para a janela do teu quarto. Mostrei-me impaciente como sempre, bati com o pé nas lajes de cimento, maldizi o facto de nunca estares despachada (o cabelo, a maquiagem, os saltos altos, os óculos limpos como cristais), e esperei. Um dois muitos minutos. Ao final, a tua mãe apareceu na rua, vinha com sacos de compras nos dois braços castigados pelas seringas. Não me reconheceu, eu tão pouco a abordei para dizer que te esperava.

domingo, 3 de agosto de 2008

Euforismo

Se o que nos define é a intensidade com que gostamos dos outros, talvez Deus me abras as portas de um qualquer céu que não reconheço.

sábado, 2 de agosto de 2008

Euforismo

José, diz o BI. «Meu», dizes tu - provavelmente com razão.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Eufemismo

Nunca vi Deus. Sou um homem sem fé e os meus pais renegam que eu exista. Mas acredito em ti. Chegará?

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eufemismo

Mas afinal o que é que eu tenho de fazer para que entendas aquilo que não poderei, nunca, dizer?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Eufemismo

Deixei as chaves em casa e o gato comeu-me o cartão de crédito numa altura que me distraí contigo. Estou sem dinheiro, arranhado nos braços, ferido no coração. E nem sequer um caderno tenho à mão para te poder escrever.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Eufemismo

Entre o pensado e a vida que nos magoa, havemos de encontrar uma ponte.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Eufemismo

E então eu escrevia para ti. Como se toda a vida desabasse sobre mim e a morte não me quisesse largar.

domingo, 27 de julho de 2008

Eufemismo

Porque eu já morri. Duas vezes, três vezes. Quatro vezes. Cinco, dez, cem, perdi-lhes a conta. Todas elas foram mortes belas - um jardim de flores se possível fosse. Suaves e ternas, foram mortes que me elevavam o espírito. Mas em morte alguma senti a mesma paz que quando, ensonado, repousava o rosto no teu ombro esquerdo e, sereno, adormecia.

sábado, 26 de julho de 2008

Eufemismo

Já procurei em todos os manuais. Em nenhum há memória de uma história tão estúpida entre duas pessoas que se gostam. Por este andar, o único livro que registará o nosso amor será o do Guiness. E garanto-te que não será pelos bons motivos.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Eufemismo

Um beijo. Beira-rio com o mar do outro lado dos barcos. O mundo inteiro parado a olhar para nós, sem rota. Quem nos dera que tivesse sido por nós. Tudo o que precisávamos naquele momento era apenas da aprendizagem de toda a vida num segundo para sermos felizes. Apenas isso.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Eufemismo

Nunca te passei o gosto pela ópera, nunca consegui que ouvisses Coltrane até ao fim. Perfeição absoluta era a expressão que se adequava, pensava.

Mas depois um dia estiveste no meu regaço. Beijaste-me no rosto e disseste que gostavas mesmo de mim. Acreditei, claro, pois nunca senti que me mentias, mesmo quando o fazias. Recordo-me que, tu nos meus braços e eu parvo a olhar-te, não consegui dar-te uma resposta. Mas sei que esqueci toda a música do mundo, abracei o relativismo e desde então passei a ter mais cuidado com a utilização de certas palavras.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eufemismo

Oxalá tivesse cuidado de ti, como cuidei de apanhar o comboio, dormir pouco, escrever muito só para não te desapontar. Oxalá tivesse falhado mais comboios, dormisse dez horas, apenas falasse. Talvez na medida entre o sentir e o fazer, tivesses percebido que, em verdade e em tão pouco tempo, te amei e admirei como não sabia ser possível.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Dialogismo

- Eu sou a Alice.
- Eu sou o José.
- Prazer.
- Podes crer que sim.
- Parvo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Eufemismo

Ha-des dar-me a cor dos teus olhos para ver se o encontro no livro dos pantones. Estender-te ao longo do meu corpo, só para saber quantas torres Eiffel cabem em ti. Abraçar-te como quem abraça o mundo, mesmo sabendo que não existem planetas com o teu nome.

domingo, 20 de julho de 2008

Eufemismo

No alçapão da memória. É aí que vamos residir. Subterfúgio fácil, seremos a medida da perfeição do outro. Mesmo que seja uma falsa proporção, que é para isso mesmo que existe a memória: para inventar o passado.

sábado, 19 de julho de 2008

Eufemismo

Escrever poemas de enfiada não é para mim. Escrever poemas não é para mim, ponto. Parágrafo. Não possuo em mim a suavidade dos teus olhos, pelo que nunca poderia ver nada para além de uma linha de texto decepada. Tudo em mim é contínuo. Regular, assertivo, a distância mais curta entre dois pontos. Não que tu fizesses da tua vida uma linha irregular. Tu eras, isso sim, todos os pontos que orientam todos os caminhos.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Eufemismo

Decidi morrer num dia de agosto. Fazia frio, ninguém passava na rua. Talvez um vagabundo habitasse as pedras do passeio. Tu apanharas o táxi fazia cinco minutos. Eu ficara a mirá-lo até desaparecer na esquina. Depois ficou apenas a esquina e eu não deixei de a olhar. Não me recordo sequer se terei pensado algo. Mas nunca mais me esqueci da última coisa que me disseste antes de o taxista te levar.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Eufemismo

Escrever-te só para gerar contacto. Escrever-te só para que estejas aí.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Eufemismo

Um dia li-te a Tabacaria. De fio a pavio, ao telefone. Mas ao segundo verso já me tinha perdido. Eu já te tinha perdido. E sabia-o. Continuei apenas pelo absoluto e absurdo desejo de sofrer.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Eufemismo

Perto. Mas demasiado longe para acordarmos juntos.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Euforismo

A cada sorriso teu, abriam-se em mim janelas que não sabia que tinha.

domingo, 13 de julho de 2008

Eufemismo

Os dedos agitam-se na tua pele - no dorso, nos ombros, no rosto bonito - e não sei se alguma vez toquei neles as variações do Goldberg. Muito recomendáveis, sem dúvida, mas longe da tua perfeição que era tão calamitosamente miserável (no bom sentido, claro). Em cada passo, em cada salto alto que contornava as lages do passeio, com a saia a contornar-te as nádegas, recordo-me de pensar que te queria. Te desejava. Carne, apenas carne.

sábado, 12 de julho de 2008

Eufemismo

Se eu soubesse que a tua felicidade estava em eu ser mais um, podes crer que bem depressa me livraria do BI. Talvez me inscrevesse num partido (esquerda, direita, não importaria) ou integrasse uma qualquer arma militar só para passar a ser o 603, ou o 414, (às suas ordens, comandante) e não o José, filho da minha mãe, dono dos braços que te abraçaram.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Eufemismo

Lembro que o teu rosto era irregular. Era irregular, porque não me lembro de ter visto o teu rosto, na mesma luz à mesma perspectiva, repetidamente igual. Havia sempre algo de novo, havia sempre uns novos olhos nos teus olhos, uma nova boca na tua boca: ou os dentes pareciam mais brancos, ou as pestanas tinham crescido mais um pouco. O cabelo, esse, mantinha-se sempre aparentemente igual: mas eram demasiados fios escorreitos e negros para saber se seria aí que encontraria a tua homogeneidade.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Eufemismo

Não vou desistir. Claro que vou. Desistir é aceitar. Ou é lutar? Luto, desistindo. Desisto. Mas provavelmente a pensar que luto.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Eufemismo

Hoje não falaremos. Ouviremos apenas. A rua os passos dos outros o teu coração. Não sei o que de bom isto nos trará. Mas sei que falar apenas nos magoou. No lugar de calarmos, falámos. E isso só nos trouxe escaras atrás de escaras. Experimentemos ouvir. E esquece a rua, os passos dos outros. Fiquemos pelo teu coração que é mais belo que a rua, que os passos dos outros.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Eufemismos

Sou um homem sem dúvidas. Morrerei só, ou pelo menos sem ti, que dizer é o mesmo. Terei vivido infeliz, o que mesmo é dizer que com outra pessoa e a pensar em ti. Terei duas casas, vários carros, outros tantos filhos. E nada disso importará. Porque de cada vez que me deitei, eras tu em que eu pensava. E de cada vez que eu adormecia, eu sabia que outro homem te tocava, te sentia, te penetrava. Apagavam-se as luzes, com elas iam os sonhos. Restava a vida que, já se sabe, foi sempre infeliz.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Eufemismo

Carregava-te o telemóvel só para que não te faltassem créditos para falares comigo. Para que estivesses sempre disponível. Mas entretanto abandonaste o telemóvel, usas só o profissional. E eu não paro de carregar o antigo cartão, mesmo que o aparelho que o alberga esteja sempre desligado. É a única forma que tenho de continuar a ouvir a tua voz e eu não quero perder isso. Mesmo que a tua voz apenas habite no voice mail.

domingo, 6 de julho de 2008

Dialogismo

- Quero ver-te aqui, ao pé de mim, a olhar para mim.
- Quero estar onde estiveres, junto a ti, e os meus olhos são teus.
- Quero ser o que tu fores e onde estiveres, porque os meus olhos já não sabem ver nada que não sejas tu.
- Quero deixar de existir, deixar de estar, quero ser cega só para te gostar.
- Pronto. Ganhaste.
- E não ganho sempre?
- Não. Por vezes perdes. Mas sempre que isso acontece, perdemos os dois.

sábado, 5 de julho de 2008

Eufemismo

Luta. Luta. Luta só mais um pouco, para que a culpa não fique nas nossas mãos e nos consuma o pouco de bom que ainda temos alojado no peito.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Eufemismo

Abro os braços, qual Jesus Cristo na cruz, mãos e pés pregados à madeira. Vens para mim.

Abraço-te só para atingir a redenção.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Eufemismo

Serei eu, daqui a vinte anos, uma pessoa amargurada?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eufemismo

Provavelmente, a luta há-de derrubar-me. Provavelmente morrerei infeliz, embora com alguém do meu lado a amar-me. Comigo a pensar em ti. Provavelmente acharás outra pessoa - serás feliz, terás um filho, dois cães, uma casa, outra de fim-de-semana. Mas eu morrerei infeliz. Com alguém do meu lado a amar-me.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Eufemismo

Gozas com o meu mau feitio, com o meu mau jeito para lidar com os empregados do café. Da Fnac, da loja de roupas, do tipo do Metro. E o pior é que tens razão. Não tenho jeito para relações públicas. Para aturar a mediocridade. Expludo com pouco.

Mas, curiosamente, não que sejas medíocre, ou superficial, fútil ou básica, bem... eu para ti... bem, bem para ti tinha uma paciência infinita.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Eufemismo

Eu só queria ter-te aqui do meu lado. Sem trezentos quilómetros pelo meio, entendes? Mesmo sabendo que outros homens perscutaram a tua pele, sem que o admitas, isso já nem me importa. Só te queria aqui.

domingo, 29 de junho de 2008

Eufemismo

Odeio toda a escrita. Odeio toda a forma de expressão por letras e virgulas e pontos. Nada disto me fez ficar contigo, mesmo que tu tanto gostasses do que rabiscava. Neste momento queimava tudo. Todos os papéis todos os cadernos. Trocava tudo por uma solução para o nosso tão triste amor.

sábado, 28 de junho de 2008

Eufemismo

Tudo o que te faz feliz transborda para além da vida, deixando-nos a sós com o calor e com a cor de um dia onde julgámos que seríamos diferentes. O que mesmo é dizer: seríamos amados.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Eufemismo

Medo. Recuso em absoluto saber a cor dos teus sonhos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Dialogismo

- não me parece que estejas preparado
- estou, claro que estou
- não sei
- confia em mim, tenho a certeza que sim
- as tuas certezas não vão me deixar mais segura. e isto não é por falta de confiança em ti
- eu estou preparado. vais ver que sim, deixa-me provar-te que estou.

hoje sei que não, que não estava preparado.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eufemismo

Todos me dizem para acreditar que morreste, pois assim será mais fácil aceitar a tua perda. Estúpidos de merda sem cérebro ou coração, que não entendem que pensar a tua morte seria uma dor tão grande que eu preferia nunca mais viver mais um segundo que fosse, a aceitar que isso fosse verdade.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Euforismo

Queima-se a ponte, salta-se o obstáculo, escolhe-se a via que queremos atravessar. Mas sente-se sempre aquele medo de um dia ser atropelado e não haver ninguém que nos dê a mão.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Eufemismo

Importas-te de aparecer? Ou estás só escondido à espera que eu me torne num trapo?

domingo, 22 de junho de 2008

Eufemismo

Estás deitada, nua à minha frente, e eu juro-te, por tudo quanto é mais sagrado e adorado, que nunca, mas nunca, por nunca nunca ser, eu alguma vez vi algo que me enchesse tanto o coração como tu aí, soerguida e feliz, a olhar para mim.

sábado, 21 de junho de 2008

Eufemismo

Página 1 do diário. Cansado da mesma vidinha. Entediado com a rotina do dia-a-dia. Enojado pela senhora que passa no passeio e não olha para o lado. Com vontade de comer o coração de todos os que sorriem. À espera do primeiro ataque, para disferir o golpe final.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eufemismo

Eu vou conseguir esquecer os teus braços. Sei que vou.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Eufemismo

O teu corpo já ficou longe do meu. Agora só falta eu deixar de ser egoísta e só pensar em mim, para te poder esquecer para sempre.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Eufemismo

Será assim tão dificil de entenderes que parti sem nunca o querer fazer?

terça-feira, 17 de junho de 2008

Eufemismo

Que se danem as fotos, os postais assinados e as mensagens depositadas no telemóvel. Passaram-me mais meses do que aqueles que quero contar e ainda não consigo olhar para tudo isto como se tudo isto... fosses tu.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Eufemismo

Sobre a calada da noite, a lua desceu ao céu para expulsar o sol. O sol pôs-se atrás de uma nuvem - nessa noite choveu com violência. Mas Alice não sabe nada disto. Decidira fechar os estoros finos do quarto, pelo que a única coisa que ouviu nessa noite foram os gritos aflitos de José que num sonho chamava por ela.

domingo, 15 de junho de 2008

Eufemismo

Onde estás, José? Não sejas covarde. Olha para mim. E não me esqueças. Mas sobretudo não pares de me escrever. Escreve-me. Não sejas covarde, José.

sábado, 14 de junho de 2008

Eufemismo

O equilíbrio da rua é conseguido pela frequência com que a pisas. Para ir comprar o jornal, para trazeres dois quilos de fruta, um sumo para o almoço. Se saiste para comprar o newspaper, forma que herdaste do teu pai inglês, é porque então algo de importante se passou no mundo - há que estar atento. Se te preocupas em ter fruta em casa é porque não te queres ir abaixo e se já pensas em almoçar é porque, de facto, já não queres morrer.

Na rua suspira-se de alívio. Alegrias, alegria, rejubilo das almas: não sabemos se conseguiríamos suporte a morte de mais alguém.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Eufemismo

Trazes ainda a roupa justa, presa às ondas do corpo. Trazes ainda na cabeça a ideia de um fim que não desejas. Trazes ainda no corpo a lembrança de dias que foram mais que vinte e quatro vidas - assim por extenso para não restarem dúvidas. Passaram-se anos, até poderiam ser mil anos, que eu nunca mais eu te vi assim, se não na minha cabeça.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Eufemismo

Alice sopesava-se no cotovelo esquerdo e segurava o rosto com as mão. Não me lembro da última vez que a vi assim. Mas lembro-me que da primeira de todas, apaixonei-me por ela.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Eufemismo

José ponderou se valia a pena apanhar o barco e o metro para enfim chegar ao aeroporto e ultrapassar a fronteira. Tinha uma carta para entregar e uma imagem no coração. Escusado sera dizer que, esgotado, optou por chorar enquanto via o mesmo filme de sempre na televisão.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Eufemismo

Um tango pendurado ao canto da sala e tu a olhar para mim. Os teus olhos a dançarem com os meus e o homem do bar a olhar para nós. No espaço contíguo à nossa mesa, uma empregada faz-se a um tipo de muitas notas. Antes de me convidares a dançar e eu dizer que não, a empregada levantar-se-á, o homem há-de seguir-lhe os passos. O tango esperará pela sua vez. Talvez tudo se toque e se passe no quarto que os dois outros personagens reservaram algures na cidade.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Eufemismo

Persiste ainda a certeza de um abandono que se deu por alturas de abril. As flores não tinham desabrochado nesse ano pelo que não há nada de lugar comum no quadro. Chovia a potes e só a jeito nos afastávamos das poças. Tínhamos os pés molhados e o corpo encharcado, ou ao contrário ja nao sei. Não me tivesses tu beijado e eu sei lá o que seria de mim.

domingo, 8 de junho de 2008

Eufemismo

Lembro os passeios, as refeições e os choros no ombro um do outro. Apaguei da memória apenas os beijos, porque a minha memória não e sensível.

sábado, 7 de junho de 2008

Eufemismo

José ouvia a mesma árias vezes e vezes. Não se dirá sem conta, porque este as contava. Uma aos domingos, duas às segundas, três as terças, quatro às quartas e assim sucessivamente. Aos sábados ajoelhava-se e rezava. Mesmo sendo ateu, pois sabia que àquela mesma hora Alice assistia esperançada à missa das sete.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Euforismo

As paragens de comboio, clichê do cinema e da literatura, por tanto fazer sofrer quem ali abjurava o seu amor, residem agora. Abandonadas.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Euforismo

O amor e dúbio apenas porque para existir é preciso dois.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Eufemismo

Dei-te abraços, entreguei-te beijos. Tu ofereceste-me uma cidade.

No deve e no haver, hei-de ficar para sempre em dívida.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Eufemismo

Sobre os pés decalcados no chão jaz ainda uma carta por abrir. Veio sem remetente mas no destinataria lia-se
ALice
Porto
A caligrafia era irregular. As letras escritas a correr como se queinassem. O carteiro nao esteve com meias medidas e ignorou o pedido desesperado. E foi assim que a carta de amor, sem canção que a suportasse, morreu à nascença nos seus intentos e estéril nos seus derivados.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Eufemismo

Hoje é o ultimo dia que chorarei, pensou Alice pouca certa que conseguiria cumprir a promessa que fez para si mesma.

domingo, 1 de junho de 2008

Eufemismo

A ultima vez que Alice andou pelas ruas ainda usava madeixas claras no cabelo preto. A boca apenas dizia palavras bonitas e nada podia correr mal. Os cães passavam pela janela, olhavam-na a dormir e nao tinham dúvidas que ela era feliz. Agora as luzes da rua ofuscaram-se e as poças da chuva amontoam-se no alcatrão. Perdeu os horários dos comboios e deitou fora o passe social. Ainda esta a espera de um telefonema que nem os caninos abandonados escutaram.

sábado, 31 de maio de 2008

Eufemismo

Trago no bolso um jornal antigo - secção classificados, rubrica perdidos e achados. Papel sujo e amarrotado, com as letras deformadas pelas dobras, pelos vincos, já nem sei o que diz ali. Nem tão pouco o que procurava no dia que comprei o jornal.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Eufemismo

Em cada uma das pistas, em cada um dos quadrados das palavras cruzadas por preencher vejo o teu nome. Alice Alice Alice Alice Alice Alice. Como se controlasses todo o meu discurso e a tua voz me guiasse. Não é justo: todas as palavras te pertencem.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Eufemismo

A rua está solta e abandonada, triste, como se mais nenhum homem a quisesse pisar. Alice está à janela e por detrás do vidro vê apenas a poça irregular, que lustra o pavimento com a luz do candeeiro. Alice pensa que queria sair dali, daquela casa - da rua triste que ninguém pisa. Mas Alice também sabe que não saberia para onde ir. Talvez seja por isso que esta não ousa sequer abrir a janela.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eufemismo

Alice caiu redonda na noite e só acordou na manhã seguinte. Um cão passeara pela janela, no silêncio, e olhara contemplativo para Alice. O cão pensou que Alice tivesse desfalecido. No lugar do seu corpo, residisse agora a alma. Os cães não têm alma. Talvez por isso fosse tão fácil para ele acreditar que Alice tinha uma.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Euforismo

Alice tinha um porte elegante, um sorriso que encantava, uns pés decalcados das pegadas na areia. Dir-se-ia sereia se tivesse cauda. Assim, era apenas uma mulher.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Euforismo

Ao cabeçalho da rua chegou a notícia que partiras. Apanharas um comboio, correras por entre os quarteirões e venderas a tua vida sossegada por um qualquer sobressalto noutro local. Faltam alguns minutos para os 23 dias. E não há segundo em que não sinta que a tua pele ainda está do outro lado da parede, com a cabeça encostada na almofada e livro no peito, à espera que te vá chamar.

domingo, 25 de maio de 2008

Euforismo

Havia uma mulher, cujo corpo fora projectado a martelo e escopro. As mãos eram de um génio. Mas não deixavam de ser um martelo e um escopro as ferramentas que o homem tinha nas mãos.

sábado, 24 de maio de 2008

Dialogismo

- E tu, não te preocupas com isso?
- Eu quero lá saber. Eu quero é ser feliz.
- E não és?
- ... bem... agora estou-me a sentir bem.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Euforismo

Às vezes sinto-me tão só, tão só, tão só, que me pergunto se foi o mundo que ficou surdo.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Eufemismo

Pergunta-me tudo o que tu quiseres. O meu nome, o segundo nome, a idade, onde nasci, qual o meu partido, que número calço, se gosto mais do papá ou da mamã. Só não me perguntes se sou feliz, que de coisas privadas não falo.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Dialogismo

- Já não te disse para não dizeres isso?
- Pois então fica sabendo que este não será o último dia que digo que gosto de ti.