hoje, só queria pensar em sorrisos para ti.
só queria que compreendesses que.
domingo, 18 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
Eufemismo
Trouxeste o ano novo contigo. Mas não esqueci ainda o ano velho. Pausa. Longa, esta, pois estou sem que te diga.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Eufemismo
É, como já sabíamos que seria, estranha, esta nova fase. Estás por cá, apareceste de novo. Mas pareces não me sentir ainda.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Eufemismo
Hoje é o último dia do ano. Apareceste cá por casa, encheste a casa de luz. Partiste de novo, que vais passar o reveillon fora.
Mesmo sem saberes, passarei a meia noite contigo.
Mesmo sem saberes, passarei a meia noite contigo.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Eufemismo
Não percebeste ou não quiseste perceber, e beijaste-me como se não tivesses ouvido. Não sei se te disse mais alguma coisa, mas sei que fiquei a remoer muito para além do passeio à beira-mar.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Eufemismo
Eu sorri, e acenei com a cabeça que sim. Mas no interior de mim chamei-te de todos os nomes infames que me lembrei.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Eufemismo
Deste-me enfim a mão, sentaste-te do meu lado e sorriste. Sempre um sorriso. Mas não disseste que ias ficar, porque, na verdade, nunca partiras.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
domingo, 14 de dezembro de 2008
Eufemismo
Alguém - já não sei quem - me despertou. Levantei-me, fui até à casa de banho. Senti a pele, vi que o corpo ainda respirava. A barba crescera a um ritmo normal, o que só podia ser um sinal de que estava vivo.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Eufemismo
Voltei a adormecer mas não sonhei contigo. E no dia seguinte, tu não estavas lá, pensei que tinhas desaparecido de novo.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
Eufemismo
No momento em que tu me tocaste, apaguei
[tudo branco, de novo]
e só acordei cinco dias depois.
[tudo branco, de novo]
e só acordei cinco dias depois.
sábado, 6 de dezembro de 2008
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Eufemismo
Aquele foi o dia em que percebi que não era só a figura estilizada de ti que residia na minha cabeça. Que, de facto, a memória de ti ocupava ainda um largo espaço.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Eufemismo
e logo a seguir tudo voltou a ficar branco. Como o leite, como a farinha, como o açucar, como as nuvens do céu.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
domingo, 30 de novembro de 2008
sábado, 29 de novembro de 2008
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
domingo, 23 de novembro de 2008
sábado, 22 de novembro de 2008
Eufemismo
Estou à espera. E por muitas voltas que dê ao tempo, não há meio de conseguir que tudo passe bem depressa.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Dialogismo
- Este Darwin vê em tudo uma luta pela sobrevivência.
- ...
- Darwin devia ter falado menos de espécies e mais do amor.
- ...
- Darwin devia ter falado menos de espécies e mais do amor.
domingo, 16 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Eufemismo
Já nem me lembro de quantas vezes voltei, para logo a seguir perceber que o meu lugar é partir.
sábado, 8 de novembro de 2008
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
terça-feira, 4 de novembro de 2008
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
domingo, 2 de novembro de 2008
sábado, 1 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Eufemismo
É no barulho, e no meio de toda a confusão, embriagado e só, que sei que gosto de ti como a noite que um dia não desceu quando o sol nasceu.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Eufemismo
Arriscas-te a avançar pelo quarto escuro onde eu durmo. Tacteias os móveis, pressentes o início da cama e apalpas o colchão. Acordo, pergunto-te o que procuras e respondes
- Só o telemóvel.
Repouso e volto a dormir. Nestes momentos, fico sempre com medo que estejas a vaguear pelo quarto, esperando talvez encontrar o meu coração.
- Só o telemóvel.
Repouso e volto a dormir. Nestes momentos, fico sempre com medo que estejas a vaguear pelo quarto, esperando talvez encontrar o meu coração.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Eufemismo
Pensarei em ti hoje. Com carinho, como se não te conhecesse na tristeza e na desilusão de uma vida depurada pela sua finitude.
sábado, 25 de outubro de 2008
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
sábado, 18 de outubro de 2008
Eufemismo
Eu hei-de amar sempre cidades com rios, mesmo que os rios morram à beira mar. Eu hei-de sempre lembrar-me de vinhos refinados tomados a alta altitude e de beijos trocados com a boca a sabor a sal. Eu hei-de sempre ouvir a tua pronúncia açucarada, mesmo que entretanto a tua vinda para Lisboa te tenha roubado essa forma tão tua de seres gente.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Eufemismo
Janto comida refinada, com bebidas quentes. Os cigarros fumo-os ao contrário e não consigo ler um livro pela primeira página. Os semáforos só têm cores que desconheço e nem já a minha caligrafia entendo.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Eufemismo
Um dia destes, o tempo há-de trazer-te até mim. Vestirás de branco e sorrirás. Sorrirás sempre.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Eufemismo
A última vez que fumei enquanto escrevia, disse que nunca mais te queria ver. O cigarro ardeu-me nos lábios e o fumo enublou-me os olhos. A roupa, os cabelos, as mãos: a cheirarem a tabaco queimado. O coração triste como nunca a saber que jamais mais voltaria a bater daquela maneira.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Eufemismo
Já me esqueci daquela casa onde passámos a noite pela primeira vez, dez vinte mil vezes. E no entanto, sempre aquele cansaço, aquela maldição a aparecer de mansinho, a dizer-me que nunca mais voltarei a ver passar os minutos, como naquela noite, sem me aperceber que. Já era dia.
domingo, 12 de outubro de 2008
Eufemismo
A única coisa que isto nos levou foi à pena. Um pelo outro. A pena de nos perdermos, a pena de já não estarmos juntos. A pena de sabermos que podiamos ser felizes.
sábado, 11 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Dialogismo
- Se fosses um filme, qual serias?
- Não sei. Mas agrada-me aquela ideia de andarmos a jogar xadrez com a morte.
- Não sei. Mas agrada-me aquela ideia de andarmos a jogar xadrez com a morte.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
domingo, 5 de outubro de 2008
Eufemismo
Sou um espectador de 4ª ordem da minha própria tragédia. As senhoras com casacos de peles, sentadas na fila cimeira da plateia, tentam curar feridas que nem elas sabiam que tinham.
sábado, 4 de outubro de 2008
Eufemismo
Vagueio pelo corredor escuro. E sozinho, como o ar que o diabo amassou. Não me lembro se alguma vez cheguei a ser feliz.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Artigo 7º
A fraqueza do Apaixonado medir-se-á na justa medida a que a outra parte, submetendo o primeiro, continua a ser adorada e amada como se não houvesse nem céu nem flores.
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quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Artigo 6º
Todo o apaixonado será sempre um fraco.
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Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados,
Artigo 5.º
Os apaixonados apenas serão gente na medida em que o outro o entender. Espera-se que cada indivíduo deixa o outro ser, na sua totalidade, gente tal qual é.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Artigo 4.º
Os Apaixonados deverão respeitar o outro na medida do que este o solicitar, podendo questionar, mas nunca renegar, os termos e natureza do vínculo que estabeleceram pela sua própria cabeça.
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Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Artigo 3.º
A todos os apaixonados não se exigirá mais do que total ligação durante todo o vínculo, sendo de excluir toda e qualquer prestação para além do que são.
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domingo, 28 de setembro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Artigo 2.º
Todos os sócios-membros (doravante denominados de Apaixonados) terão corações puros e impuros, pois no Amor não se excluem nem os cães, quanto mais os desafortunos e desavindos de juízo próprio.
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sábado, 27 de setembro de 2008
Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
Ordem dos Apaixonados.
Regulamento
Artigo 1.º
Os membros que se queiram juntar a esta Associação fazem-no de livre vontade, não sendo exigidos outros pré-requisitos que não sejam a entrega total de si e dos bens que possuem.
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Código Civilizado da Ordem dos Apaixonados
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Eufemismo
Se há uma ordem para gente organizada como médicos, advogados e arquitectos, porque razão não foi ainda criada a Ordem dos Apaixonados?
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Eufemismo
Há uma música que não me largou desde o dia que te afastaste. Acredito que só nós a ouçamos; acredito que só para nós essa canção seja insuportável.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Eufemismo
Se uma longa caminhada começa com um pequeno passo, porque te admiraste que o nosso amor tenha sido produto de um simples beijo?
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Eufemismo
Da última vez que deixei a chave em casa, não me deixaste entrar. A chave não estava debaixo do tapete, no contador exterior da água, muito menos em cima da mesa, no interior da casa. Simplesmente deitaste-a fora. Devia ter achado aí um pronúncio. Apenas vi uma má coincidência de causas e efeitos irreflectidos.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Eufemismo
Não te assustes se um dia voltar a amar. Estarei apenas a obedecer ao meu desígnio mais primário.
domingo, 21 de setembro de 2008
Euforismo
Deixa o teu Bi em casa, ele nada diz. Sê livre, amando, como todos os homens dignos desse nome.
sábado, 20 de setembro de 2008
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Eufemismo
Jogámos este jogo demasiadas vezes, sem que eu, em consciência, soubesse as regras. Ainda levo um cartão vermelho por uma qualquer falta imoral, e me acusas de agressão gratuita e inconsequente.
Sabe pois tu nessa altura que a existir uma falta, como se diz na gíria, foi apenas de jeito.
Sabe pois tu nessa altura que a existir uma falta, como se diz na gíria, foi apenas de jeito.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Eufemismo
As batidas irregulares da bateria suspensa algures numa qualquer coluna urbana não esconde o medo que tenho em, novamente, passar por esta rua, em frente à tua porta, sabendo que àquela janela já me esperaste.
domingo, 14 de setembro de 2008
sábado, 13 de setembro de 2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Eufemismo
Para um dia mais tarde, bem mais tardio, ficarmos juntos, separámo-nos. Preferia ter lutado ao teulado para, ainda hoje, estarmos juntos.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Eufemismo
O meu coração há-de ser sempre um saltibanco. Não, não é isso: o meu olhar tem alma de saltibanco, é isso. Olha, de norte a sul, este para oeste, em movimentos circulares e rectos. Vê quem passa, não deixa ninguém passar. Mas eu sei, espero que tu também, que desde o dia em que desceste até mim e disseste Gosto de ti, ele nunca mais disse Vai.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Euforismo
Nunca te consegui amar. Tu eras a mulher dos meus sonhos, nunca poderias ser a mulher da minha vida.
domingo, 7 de setembro de 2008
sábado, 6 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Eufemismo
Apresentei-te Lisboa, o Estoril, Oeiras, Benfica, Cascais. Mas nunca te poderei agradecer o suficiente por me teres dado o Norte.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Eufemismo
As folhas caídas no jardim verde, despojadas no chão, como uma uma dor e apetência infinita para o suicídio, parecem-me a metáfora perfeita daquilo em que, depois de ires, se transformou o meu corpo.
domingo, 31 de agosto de 2008
Eufemismo
Disseste-me para editar toda a nossa vida. Passar um lápis (azul, suponho) por cima de tudo, como quem inventa segreda e desvenda tristezas. Não há dia que passe que não me recorde disto. Que querias, simplesmente como se isso não nada fosse, rasgar e queimar todas as cartas que trocámos.
sábado, 30 de agosto de 2008
Euforismo
É na bebedeira que sou racional, pois é na bebedeira que o pensamento não me trava o coração.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Eufemismo
Na solidão das tuas mãos, deixei que me esfregasses o corpo como quem espera que, um dia, seja capaz de te satisfazer um, dois ou três desejos.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Dialogismo
- Tens a certeza que não te vais perder?
- Certeza, não.
- Mas vais pelo menos tentar?
- Vou pelo menos prometer-te que vou tentar não me esqueçer de não me perder. Está bom assim?
- Está. Mas aposto que te vais perder.
- Certeza, não.
- Mas vais pelo menos tentar?
- Vou pelo menos prometer-te que vou tentar não me esqueçer de não me perder. Está bom assim?
- Está. Mas aposto que te vais perder.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Euforismo
O acordeão é triste só porque ninguém se preocupou em lhe depositar uma flor por cima da caixa das esmolas.
domingo, 24 de agosto de 2008
Euforismo
Sentir de novo um amor que perdemos é termos a perfeita e líquida noção que, um dia destes, o peso de uma casa vai desabar sobre nós.
sábado, 23 de agosto de 2008
Euforismo
As pessoas respiram para dentro apenas porque, julgam elas, se esconderem quem são dos outros, sofrerão menos.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Euforismo
Gostar de ti é estar contigo na praia e apenas sentir doçura de cada vez que sais da água e voltas para a toalha.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Eufemismo
- Não digas isso, José, por favor, não digas, esse não és tu, José. Esse não és tu.
- Enganas-te, Alice, este sou eu. Hoje mais do que nunca, este sou eu.
- Está bem. Mas levanta-te. Levanta-te por favor. Não te quero lembrar assim.
- Enganas-te, Alice, este sou eu. Hoje mais do que nunca, este sou eu.
- Está bem. Mas levanta-te. Levanta-te por favor. Não te quero lembrar assim.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
domingo, 17 de agosto de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
Euforismo
Como numa cesariana, tudo volta ao seu sítio. Tiram-se os intestinos cá para fora só para o puto poder chorar. Mal sabe que aquela será a primeira vez de muitas.
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Dialogismo
- Esta vírgula está a irritar-me.
- Coloca um ponto final.
- O ponto final é demasiado rígido.
- A vírgula deixa sempre mais espaço para a indecisão, é sempre assim, toda a gente sabe isso.
- Estás a querer dizer-me alguma coisa?
- Coloca um ponto final.
- O ponto final é demasiado rígido.
- A vírgula deixa sempre mais espaço para a indecisão, é sempre assim, toda a gente sabe isso.
- Estás a querer dizer-me alguma coisa?
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Euforismo
A noite é mais suave. Nela não tenho de ver os teus braços, as tuas pernas, os teus peitos.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Dialogismo
- Fazes ideia de quantos tratamentos restam à tua mãe?
- Queres dizer faltam.
- Isso, faltam. Desculpa.
- Queres dizer faltam.
- Isso, faltam. Desculpa.
domingo, 10 de agosto de 2008
Dialogismo
- Da última vez que estivemos aqui foste feliz?
- Devo ter sido. Não há nenhuma memória a agredir-me a cabeça, pelo que decerto fui muito feliz.
- Devo ter sido. Não há nenhuma memória a agredir-me a cabeça, pelo que decerto fui muito feliz.
sábado, 9 de agosto de 2008
sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Eufemismo
Morreremos ao fim de muitos anos. Com dignidade e arrependidos. A prová-lo, os nossos joelhos flectidos, assentes nas águas que abençoámos.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Eufemismo
Um dia aparecerás à minha porta e ler-me-ás a Bíblia. Versos soltos, os livros principais e os outros. Nenhum importará. Mas decerto gostarei de ouvir-te.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Eufemismo
A minha salvação há-de chegar um dia destes num envelope almofado, carta registada com aviso de recepção e assinatura de Deus a comprovar que entrarei no Paraíso. Mesmo que seja daqui a muitos anos, sei que a carta virá numa caligrafia cuidada que se esprai ao longo de um papel sedoso. Sei que nessa altura já terei escrito todo o teu corpo. Não haverá já espaço para o inferno.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Eufemismo
Lembro-me de me teres falado da geografia do teu corpo, o único que se apresentava como um enigma perante todos os que conheci. Um dia quase te toquei, um dia quase nos penetrámos.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Eufemismo
Ontem à noite passei por tua casa. Mesmo sabendo que já não estás lá. Toquei à campainha, contei até dez, e olhei para a janela do teu quarto. Mostrei-me impaciente como sempre, bati com o pé nas lajes de cimento, maldizi o facto de nunca estares despachada (o cabelo, a maquiagem, os saltos altos, os óculos limpos como cristais), e esperei. Um dois muitos minutos. Ao final, a tua mãe apareceu na rua, vinha com sacos de compras nos dois braços castigados pelas seringas. Não me reconheceu, eu tão pouco a abordei para dizer que te esperava.
domingo, 3 de agosto de 2008
Euforismo
Se o que nos define é a intensidade com que gostamos dos outros, talvez Deus me abras as portas de um qualquer céu que não reconheço.
sábado, 2 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Eufemismo
Nunca vi Deus. Sou um homem sem fé e os meus pais renegam que eu exista. Mas acredito em ti. Chegará?
quinta-feira, 31 de julho de 2008
Eufemismo
Mas afinal o que é que eu tenho de fazer para que entendas aquilo que não poderei, nunca, dizer?
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Eufemismo
Deixei as chaves em casa e o gato comeu-me o cartão de crédito numa altura que me distraí contigo. Estou sem dinheiro, arranhado nos braços, ferido no coração. E nem sequer um caderno tenho à mão para te poder escrever.
terça-feira, 29 de julho de 2008
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Eufemismo
E então eu escrevia para ti. Como se toda a vida desabasse sobre mim e a morte não me quisesse largar.
domingo, 27 de julho de 2008
Eufemismo
Porque eu já morri. Duas vezes, três vezes. Quatro vezes. Cinco, dez, cem, perdi-lhes a conta. Todas elas foram mortes belas - um jardim de flores se possível fosse. Suaves e ternas, foram mortes que me elevavam o espírito. Mas em morte alguma senti a mesma paz que quando, ensonado, repousava o rosto no teu ombro esquerdo e, sereno, adormecia.
sábado, 26 de julho de 2008
Eufemismo
Já procurei em todos os manuais. Em nenhum há memória de uma história tão estúpida entre duas pessoas que se gostam. Por este andar, o único livro que registará o nosso amor será o do Guiness. E garanto-te que não será pelos bons motivos.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Eufemismo
Um beijo. Beira-rio com o mar do outro lado dos barcos. O mundo inteiro parado a olhar para nós, sem rota. Quem nos dera que tivesse sido por nós. Tudo o que precisávamos naquele momento era apenas da aprendizagem de toda a vida num segundo para sermos felizes. Apenas isso.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Eufemismo
Nunca te passei o gosto pela ópera, nunca consegui que ouvisses Coltrane até ao fim. Perfeição absoluta era a expressão que se adequava, pensava.
Mas depois um dia estiveste no meu regaço. Beijaste-me no rosto e disseste que gostavas mesmo de mim. Acreditei, claro, pois nunca senti que me mentias, mesmo quando o fazias. Recordo-me que, tu nos meus braços e eu parvo a olhar-te, não consegui dar-te uma resposta. Mas sei que esqueci toda a música do mundo, abracei o relativismo e desde então passei a ter mais cuidado com a utilização de certas palavras.
Mas depois um dia estiveste no meu regaço. Beijaste-me no rosto e disseste que gostavas mesmo de mim. Acreditei, claro, pois nunca senti que me mentias, mesmo quando o fazias. Recordo-me que, tu nos meus braços e eu parvo a olhar-te, não consegui dar-te uma resposta. Mas sei que esqueci toda a música do mundo, abracei o relativismo e desde então passei a ter mais cuidado com a utilização de certas palavras.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Eufemismo
Oxalá tivesse cuidado de ti, como cuidei de apanhar o comboio, dormir pouco, escrever muito só para não te desapontar. Oxalá tivesse falhado mais comboios, dormisse dez horas, apenas falasse. Talvez na medida entre o sentir e o fazer, tivesses percebido que, em verdade e em tão pouco tempo, te amei e admirei como não sabia ser possível.
terça-feira, 22 de julho de 2008
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Eufemismo
Ha-des dar-me a cor dos teus olhos para ver se o encontro no livro dos pantones. Estender-te ao longo do meu corpo, só para saber quantas torres Eiffel cabem em ti. Abraçar-te como quem abraça o mundo, mesmo sabendo que não existem planetas com o teu nome.
domingo, 20 de julho de 2008
Eufemismo
No alçapão da memória. É aí que vamos residir. Subterfúgio fácil, seremos a medida da perfeição do outro. Mesmo que seja uma falsa proporção, que é para isso mesmo que existe a memória: para inventar o passado.
sábado, 19 de julho de 2008
Eufemismo
Escrever poemas de enfiada não é para mim. Escrever poemas não é para mim, ponto. Parágrafo. Não possuo em mim a suavidade dos teus olhos, pelo que nunca poderia ver nada para além de uma linha de texto decepada. Tudo em mim é contínuo. Regular, assertivo, a distância mais curta entre dois pontos. Não que tu fizesses da tua vida uma linha irregular. Tu eras, isso sim, todos os pontos que orientam todos os caminhos.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Eufemismo
Decidi morrer num dia de agosto. Fazia frio, ninguém passava na rua. Talvez um vagabundo habitasse as pedras do passeio. Tu apanharas o táxi fazia cinco minutos. Eu ficara a mirá-lo até desaparecer na esquina. Depois ficou apenas a esquina e eu não deixei de a olhar. Não me recordo sequer se terei pensado algo. Mas nunca mais me esqueci da última coisa que me disseste antes de o taxista te levar.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Eufemismo
Um dia li-te a Tabacaria. De fio a pavio, ao telefone. Mas ao segundo verso já me tinha perdido. Eu já te tinha perdido. E sabia-o. Continuei apenas pelo absoluto e absurdo desejo de sofrer.
terça-feira, 15 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
domingo, 13 de julho de 2008
Eufemismo
Os dedos agitam-se na tua pele - no dorso, nos ombros, no rosto bonito - e não sei se alguma vez toquei neles as variações do Goldberg. Muito recomendáveis, sem dúvida, mas longe da tua perfeição que era tão calamitosamente miserável (no bom sentido, claro). Em cada passo, em cada salto alto que contornava as lages do passeio, com a saia a contornar-te as nádegas, recordo-me de pensar que te queria. Te desejava. Carne, apenas carne.
sábado, 12 de julho de 2008
Eufemismo
Se eu soubesse que a tua felicidade estava em eu ser mais um, podes crer que bem depressa me livraria do BI. Talvez me inscrevesse num partido (esquerda, direita, não importaria) ou integrasse uma qualquer arma militar só para passar a ser o 603, ou o 414, (às suas ordens, comandante) e não o José, filho da minha mãe, dono dos braços que te abraçaram.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Eufemismo
Lembro que o teu rosto era irregular. Era irregular, porque não me lembro de ter visto o teu rosto, na mesma luz à mesma perspectiva, repetidamente igual. Havia sempre algo de novo, havia sempre uns novos olhos nos teus olhos, uma nova boca na tua boca: ou os dentes pareciam mais brancos, ou as pestanas tinham crescido mais um pouco. O cabelo, esse, mantinha-se sempre aparentemente igual: mas eram demasiados fios escorreitos e negros para saber se seria aí que encontraria a tua homogeneidade.
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Eufemismo
Não vou desistir. Claro que vou. Desistir é aceitar. Ou é lutar? Luto, desistindo. Desisto. Mas provavelmente a pensar que luto.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Eufemismo
Hoje não falaremos. Ouviremos apenas. A rua os passos dos outros o teu coração. Não sei o que de bom isto nos trará. Mas sei que falar apenas nos magoou. No lugar de calarmos, falámos. E isso só nos trouxe escaras atrás de escaras. Experimentemos ouvir. E esquece a rua, os passos dos outros. Fiquemos pelo teu coração que é mais belo que a rua, que os passos dos outros.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Eufemismos
Sou um homem sem dúvidas. Morrerei só, ou pelo menos sem ti, que dizer é o mesmo. Terei vivido infeliz, o que mesmo é dizer que com outra pessoa e a pensar em ti. Terei duas casas, vários carros, outros tantos filhos. E nada disso importará. Porque de cada vez que me deitei, eras tu em que eu pensava. E de cada vez que eu adormecia, eu sabia que outro homem te tocava, te sentia, te penetrava. Apagavam-se as luzes, com elas iam os sonhos. Restava a vida que, já se sabe, foi sempre infeliz.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Eufemismo
Carregava-te o telemóvel só para que não te faltassem créditos para falares comigo. Para que estivesses sempre disponível. Mas entretanto abandonaste o telemóvel, usas só o profissional. E eu não paro de carregar o antigo cartão, mesmo que o aparelho que o alberga esteja sempre desligado. É a única forma que tenho de continuar a ouvir a tua voz e eu não quero perder isso. Mesmo que a tua voz apenas habite no voice mail.
domingo, 6 de julho de 2008
Dialogismo
- Quero ver-te aqui, ao pé de mim, a olhar para mim.
- Quero estar onde estiveres, junto a ti, e os meus olhos são teus.
- Quero ser o que tu fores e onde estiveres, porque os meus olhos já não sabem ver nada que não sejas tu.
- Quero deixar de existir, deixar de estar, quero ser cega só para te gostar.
- Pronto. Ganhaste.
- E não ganho sempre?
- Não. Por vezes perdes. Mas sempre que isso acontece, perdemos os dois.
- Quero estar onde estiveres, junto a ti, e os meus olhos são teus.
- Quero ser o que tu fores e onde estiveres, porque os meus olhos já não sabem ver nada que não sejas tu.
- Quero deixar de existir, deixar de estar, quero ser cega só para te gostar.
- Pronto. Ganhaste.
- E não ganho sempre?
- Não. Por vezes perdes. Mas sempre que isso acontece, perdemos os dois.
sábado, 5 de julho de 2008
Eufemismo
Luta. Luta. Luta só mais um pouco, para que a culpa não fique nas nossas mãos e nos consuma o pouco de bom que ainda temos alojado no peito.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Eufemismo
Abro os braços, qual Jesus Cristo na cruz, mãos e pés pregados à madeira. Vens para mim.
Abraço-te só para atingir a redenção.
Abraço-te só para atingir a redenção.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Eufemismo
Provavelmente, a luta há-de derrubar-me. Provavelmente morrerei infeliz, embora com alguém do meu lado a amar-me. Comigo a pensar em ti. Provavelmente acharás outra pessoa - serás feliz, terás um filho, dois cães, uma casa, outra de fim-de-semana. Mas eu morrerei infeliz. Com alguém do meu lado a amar-me.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Eufemismo
Gozas com o meu mau feitio, com o meu mau jeito para lidar com os empregados do café. Da Fnac, da loja de roupas, do tipo do Metro. E o pior é que tens razão. Não tenho jeito para relações públicas. Para aturar a mediocridade. Expludo com pouco.
Mas, curiosamente, não que sejas medíocre, ou superficial, fútil ou básica, bem... eu para ti... bem, bem para ti tinha uma paciência infinita.
Mas, curiosamente, não que sejas medíocre, ou superficial, fútil ou básica, bem... eu para ti... bem, bem para ti tinha uma paciência infinita.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Eufemismo
Eu só queria ter-te aqui do meu lado. Sem trezentos quilómetros pelo meio, entendes? Mesmo sabendo que outros homens perscutaram a tua pele, sem que o admitas, isso já nem me importa. Só te queria aqui.
domingo, 29 de junho de 2008
Eufemismo
Odeio toda a escrita. Odeio toda a forma de expressão por letras e virgulas e pontos. Nada disto me fez ficar contigo, mesmo que tu tanto gostasses do que rabiscava. Neste momento queimava tudo. Todos os papéis todos os cadernos. Trocava tudo por uma solução para o nosso tão triste amor.
sábado, 28 de junho de 2008
Eufemismo
Tudo o que te faz feliz transborda para além da vida, deixando-nos a sós com o calor e com a cor de um dia onde julgámos que seríamos diferentes. O que mesmo é dizer: seríamos amados.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Dialogismo
- não me parece que estejas preparado
- estou, claro que estou
- não sei
- confia em mim, tenho a certeza que sim
- as tuas certezas não vão me deixar mais segura. e isto não é por falta de confiança em ti
- eu estou preparado. vais ver que sim, deixa-me provar-te que estou.
hoje sei que não, que não estava preparado.
- estou, claro que estou
- não sei
- confia em mim, tenho a certeza que sim
- as tuas certezas não vão me deixar mais segura. e isto não é por falta de confiança em ti
- eu estou preparado. vais ver que sim, deixa-me provar-te que estou.
hoje sei que não, que não estava preparado.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Eufemismo
Todos me dizem para acreditar que morreste, pois assim será mais fácil aceitar a tua perda. Estúpidos de merda sem cérebro ou coração, que não entendem que pensar a tua morte seria uma dor tão grande que eu preferia nunca mais viver mais um segundo que fosse, a aceitar que isso fosse verdade.
terça-feira, 24 de junho de 2008
Euforismo
Queima-se a ponte, salta-se o obstáculo, escolhe-se a via que queremos atravessar. Mas sente-se sempre aquele medo de um dia ser atropelado e não haver ninguém que nos dê a mão.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
domingo, 22 de junho de 2008
Eufemismo
Estás deitada, nua à minha frente, e eu juro-te, por tudo quanto é mais sagrado e adorado, que nunca, mas nunca, por nunca nunca ser, eu alguma vez vi algo que me enchesse tanto o coração como tu aí, soerguida e feliz, a olhar para mim.
sábado, 21 de junho de 2008
Eufemismo
Página 1 do diário. Cansado da mesma vidinha. Entediado com a rotina do dia-a-dia. Enojado pela senhora que passa no passeio e não olha para o lado. Com vontade de comer o coração de todos os que sorriem. À espera do primeiro ataque, para disferir o golpe final.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Eufemismo
O teu corpo já ficou longe do meu. Agora só falta eu deixar de ser egoísta e só pensar em mim, para te poder esquecer para sempre.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
Eufemismo
Que se danem as fotos, os postais assinados e as mensagens depositadas no telemóvel. Passaram-me mais meses do que aqueles que quero contar e ainda não consigo olhar para tudo isto como se tudo isto... fosses tu.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Eufemismo
Sobre a calada da noite, a lua desceu ao céu para expulsar o sol. O sol pôs-se atrás de uma nuvem - nessa noite choveu com violência. Mas Alice não sabe nada disto. Decidira fechar os estoros finos do quarto, pelo que a única coisa que ouviu nessa noite foram os gritos aflitos de José que num sonho chamava por ela.
domingo, 15 de junho de 2008
Eufemismo
Onde estás, José? Não sejas covarde. Olha para mim. E não me esqueças. Mas sobretudo não pares de me escrever. Escreve-me. Não sejas covarde, José.
sábado, 14 de junho de 2008
Eufemismo
O equilíbrio da rua é conseguido pela frequência com que a pisas. Para ir comprar o jornal, para trazeres dois quilos de fruta, um sumo para o almoço. Se saiste para comprar o newspaper, forma que herdaste do teu pai inglês, é porque então algo de importante se passou no mundo - há que estar atento. Se te preocupas em ter fruta em casa é porque não te queres ir abaixo e se já pensas em almoçar é porque, de facto, já não queres morrer.
Na rua suspira-se de alívio. Alegrias, alegria, rejubilo das almas: não sabemos se conseguiríamos suporte a morte de mais alguém.
Na rua suspira-se de alívio. Alegrias, alegria, rejubilo das almas: não sabemos se conseguiríamos suporte a morte de mais alguém.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Eufemismo
Trazes ainda a roupa justa, presa às ondas do corpo. Trazes ainda na cabeça a ideia de um fim que não desejas. Trazes ainda no corpo a lembrança de dias que foram mais que vinte e quatro vidas - assim por extenso para não restarem dúvidas. Passaram-se anos, até poderiam ser mil anos, que eu nunca mais eu te vi assim, se não na minha cabeça.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Eufemismo
Alice sopesava-se no cotovelo esquerdo e segurava o rosto com as mão. Não me lembro da última vez que a vi assim. Mas lembro-me que da primeira de todas, apaixonei-me por ela.
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Eufemismo
José ponderou se valia a pena apanhar o barco e o metro para enfim chegar ao aeroporto e ultrapassar a fronteira. Tinha uma carta para entregar e uma imagem no coração. Escusado sera dizer que, esgotado, optou por chorar enquanto via o mesmo filme de sempre na televisão.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Eufemismo
Um tango pendurado ao canto da sala e tu a olhar para mim. Os teus olhos a dançarem com os meus e o homem do bar a olhar para nós. No espaço contíguo à nossa mesa, uma empregada faz-se a um tipo de muitas notas. Antes de me convidares a dançar e eu dizer que não, a empregada levantar-se-á, o homem há-de seguir-lhe os passos. O tango esperará pela sua vez. Talvez tudo se toque e se passe no quarto que os dois outros personagens reservaram algures na cidade.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Eufemismo
Persiste ainda a certeza de um abandono que se deu por alturas de abril. As flores não tinham desabrochado nesse ano pelo que não há nada de lugar comum no quadro. Chovia a potes e só a jeito nos afastávamos das poças. Tínhamos os pés molhados e o corpo encharcado, ou ao contrário ja nao sei. Não me tivesses tu beijado e eu sei lá o que seria de mim.
domingo, 8 de junho de 2008
Eufemismo
Lembro os passeios, as refeições e os choros no ombro um do outro. Apaguei da memória apenas os beijos, porque a minha memória não e sensível.
sábado, 7 de junho de 2008
Eufemismo
José ouvia a mesma árias vezes e vezes. Não se dirá sem conta, porque este as contava. Uma aos domingos, duas às segundas, três as terças, quatro às quartas e assim sucessivamente. Aos sábados ajoelhava-se e rezava. Mesmo sendo ateu, pois sabia que àquela mesma hora Alice assistia esperançada à missa das sete.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Euforismo
As paragens de comboio, clichê do cinema e da literatura, por tanto fazer sofrer quem ali abjurava o seu amor, residem agora. Abandonadas.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
quarta-feira, 4 de junho de 2008
Eufemismo
Dei-te abraços, entreguei-te beijos. Tu ofereceste-me uma cidade.
No deve e no haver, hei-de ficar para sempre em dívida.
No deve e no haver, hei-de ficar para sempre em dívida.
terça-feira, 3 de junho de 2008
Eufemismo
Sobre os pés decalcados no chão jaz ainda uma carta por abrir. Veio sem remetente mas no destinataria lia-se
ALice
Porto
Porto
A caligrafia era irregular. As letras escritas a correr como se queinassem. O carteiro nao esteve com meias medidas e ignorou o pedido desesperado. E foi assim que a carta de amor, sem canção que a suportasse, morreu à nascença nos seus intentos e estéril nos seus derivados.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Eufemismo
Hoje é o ultimo dia que chorarei, pensou Alice pouca certa que conseguiria cumprir a promessa que fez para si mesma.
domingo, 1 de junho de 2008
Eufemismo
A ultima vez que Alice andou pelas ruas ainda usava madeixas claras no cabelo preto. A boca apenas dizia palavras bonitas e nada podia correr mal. Os cães passavam pela janela, olhavam-na a dormir e nao tinham dúvidas que ela era feliz. Agora as luzes da rua ofuscaram-se e as poças da chuva amontoam-se no alcatrão. Perdeu os horários dos comboios e deitou fora o passe social. Ainda esta a espera de um telefonema que nem os caninos abandonados escutaram.
sábado, 31 de maio de 2008
Eufemismo
Trago no bolso um jornal antigo - secção classificados, rubrica perdidos e achados. Papel sujo e amarrotado, com as letras deformadas pelas dobras, pelos vincos, já nem sei o que diz ali. Nem tão pouco o que procurava no dia que comprei o jornal.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Eufemismo
Em cada uma das pistas, em cada um dos quadrados das palavras cruzadas por preencher vejo o teu nome. Alice Alice Alice Alice Alice Alice. Como se controlasses todo o meu discurso e a tua voz me guiasse. Não é justo: todas as palavras te pertencem.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Eufemismo
A rua está solta e abandonada, triste, como se mais nenhum homem a quisesse pisar. Alice está à janela e por detrás do vidro vê apenas a poça irregular, que lustra o pavimento com a luz do candeeiro. Alice pensa que queria sair dali, daquela casa - da rua triste que ninguém pisa. Mas Alice também sabe que não saberia para onde ir. Talvez seja por isso que esta não ousa sequer abrir a janela.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Eufemismo
Alice caiu redonda na noite e só acordou na manhã seguinte. Um cão passeara pela janela, no silêncio, e olhara contemplativo para Alice. O cão pensou que Alice tivesse desfalecido. No lugar do seu corpo, residisse agora a alma. Os cães não têm alma. Talvez por isso fosse tão fácil para ele acreditar que Alice tinha uma.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Euforismo
Alice tinha um porte elegante, um sorriso que encantava, uns pés decalcados das pegadas na areia. Dir-se-ia sereia se tivesse cauda. Assim, era apenas uma mulher.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Euforismo
Ao cabeçalho da rua chegou a notícia que partiras. Apanharas um comboio, correras por entre os quarteirões e venderas a tua vida sossegada por um qualquer sobressalto noutro local. Faltam alguns minutos para os 23 dias. E não há segundo em que não sinta que a tua pele ainda está do outro lado da parede, com a cabeça encostada na almofada e livro no peito, à espera que te vá chamar.
domingo, 25 de maio de 2008
Euforismo
Havia uma mulher, cujo corpo fora projectado a martelo e escopro. As mãos eram de um génio. Mas não deixavam de ser um martelo e um escopro as ferramentas que o homem tinha nas mãos.
sábado, 24 de maio de 2008
Dialogismo
- E tu, não te preocupas com isso?
- Eu quero lá saber. Eu quero é ser feliz.
- E não és?
- ... bem... agora estou-me a sentir bem.
- Eu quero lá saber. Eu quero é ser feliz.
- E não és?
- ... bem... agora estou-me a sentir bem.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Eufemismo
Pergunta-me tudo o que tu quiseres. O meu nome, o segundo nome, a idade, onde nasci, qual o meu partido, que número calço, se gosto mais do papá ou da mamã. Só não me perguntes se sou feliz, que de coisas privadas não falo.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Dialogismo
- Já não te disse para não dizeres isso?
- Pois então fica sabendo que este não será o último dia que digo que gosto de ti.
- Pois então fica sabendo que este não será o último dia que digo que gosto de ti.
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